Por que prédio simples esgota e prédio bonito encalha
O problema quase nunca é o prédio ser bonito. É ele ter nascido da cabeça do incorporador, e não da conta do mercado.
Uma vez peguei um projeto de 42 casas de alto padrão. Tinha de tudo: adorno, enfeite, parafernália. E não vendia.
Tirei os enfeites. O projeto ficou mais enxuto, e a venda foi imediata. Todo mundo, de cara, acertou na veia.
Ninguém compra enfeite. A pessoa compra o que cabe na vida e no bolso dela.
De onde nasce o prédio que encalha
Da ideia de alguém. O incorporador viaja, vê uma coisa linda, e resolve fazer igual. Ou repete o que deu certo dez anos atrás. O projeto sai da cabeça dele, e não de algo calculado, medido e feito para um público.
Muitos lançam pensando só na estética. Às vezes com invenções já ultrapassadas, sem ler para onde o mercado está indo.
Render bonito não é viabilidade.
As três perguntas que vêm antes do desenho
- Quem compra nesta região, e quanto essa pessoa consegue pagar?
- Quantas unidades esse mercado consegue absorver?
- Em que velocidade ele absorve?
A primeira resposta define o produto. O preço que a região paga dita o projeto, e não o contrário.
As outras duas definem o tamanho. Não adianta lançar 300 unidades onde o mercado compra 80 por ano.
O número que mede isso
O mercado tem um indicador para essa velocidade: o VSO, vendas sobre oferta. Ele mostra quanto do que estava à venda foi vendido num período.
Para ter uma régua: nos dados da Abrainc e da Fipe até março de 2026, as incorporadoras associadas venderam 25,9% da oferta num trimestre. No médio e alto padrão, 20,3%. Quem lança sem saber em que faixa o seu produto vai cair está apostando.
Com o potencial do mercado, a quantidade e a velocidade na mão, dá para calcular a força de venda necessária e o VSO esperado. É isso que determina o sucesso de um empreendimento. O desenho vem depois.
Simples não quer dizer pobre
Num terreno em que eu trabalhei, o incorporador queria encher a área de torres. Levei pesquisa e modelos de fora, e o projeto virou um prédio com um centro vivo, ligado à rua.
É por isso que eu mantenho 132 casos do mundo mapeados: o que deu certo, o que deu errado e o que dá para trazer para o Brasil. Eu não faço o projeto. Eu ajudo a acertar o produto antes de o arquiteto desenhar.
Não existe nada que supere o mercado. O mercado sempre é mais forte.
Antes de aprovar o próximo projeto, levanta o que foi lançado na sua região nos últimos dois anos. Anota o tamanho, o preço e em quanto tempo cada um vendeu. O que vendeu rápido te diz mais do que qualquer referência bonita.
O seu projeto nasceu de uma ideia ou de uma conta?
- Indicadores Abrainc/Fipe, dados até março de 2026 · Abrainc e Fipe
- O que é o indicador de vendas sobre oferta · Monitor Mercantil, 2024
Vai lançar e não tem certeza do produto?
Me chama. Eu olho o mercado da sua região com você e digo o que ele absorve, em que tamanho e em que ritmo.
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