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JR Ortiz.

Permuta de terreno por área construída: como funciona a troca

O dono do terreno troca o terreno por apartamentos do prédio que vai subir ali. Como a troca funciona, como se chega ao percentual e onde ela dá errado.

JR Ortiz·8 min de leitura·Terreno · Capital

O dono do terreno quer o máximo pelo terreno. O incorporador não quer tirar dinheiro do caixa antes de vender. A permuta junta os dois: o terreno vira apartamento.

O que é permuta de terreno

Permuta é troca. Na permuta de terreno por área construída, o dono entrega o terreno ao incorporador e, em vez de receber em dinheiro, recebe parte do que vai ser construído ali: apartamentos, salas, lojas ou, num loteamento, lotes.

Para o incorporador, é o jeito de começar sem pagar o terreno à vista. Para o dono do terreno, é o jeito de receber mais do que receberia vendendo. Desde que o prédio saia.

Desde que o prédio saia. É aí que mora a conversa toda.

Os três jeitos de fazer a troca

JeitoO dono do terreno recebeFaz sentido quando
Por área construídaUnidades do prédio, descritas no contratoEle quer imóvel para morar, alugar ou vender depois
Pelo resultado da vendaUma parte do dinheiro de cada unidade vendidaEle quer dinheiro e aceita esperar a venda
MistaUma parte em dinheiro e o resto em unidadesEle precisa de algum dinheiro na assinatura

Na conversa do dia a dia, "permuta de terreno por apartamento" é a primeira linha da tabela.

Como se chega ao percentual

O dono do terreno costuma chegar com um número na cabeça: o que o vizinho ganhou, o que alguém falou na roda. O percentual certo não sai daí. Sai da conta do prédio.

O terreno vale o que pode ser feito nele. A conta começa pelo que a lei da cidade deixa construir, passa por quanto o prédio vende e quanto custa a obra, e termina na margem que o incorporador precisa para correr o risco. O que sobra entre essas pontas é o que dá para oferecer ao dono do terreno.

Na minha conta, a margem do incorporador é sempre preservada. Se não sobra o suficiente para o dono do terreno, a resposta honesta é que a permuta não fecha. É para isso que servem os sinais para não seguir: mostram quando não vale a permuta de terreno nem a compra.

E a mesma conta que eu mostro para o incorporador, eu mostro para o dono do terreno.

Passo a passo da permuta

  1. A conta. O que cabe no terreno, quanto vende, quanto custa e quanto sobra.
  2. A proposta. O percentual, quais unidades (andar, posição e tamanho) e quando ficam prontas.
  3. O contrato. Prazo da obra, multa se atrasar, o que acontece se o prédio não sair e as garantias do dono do terreno. Cada lado com o seu advogado.
  4. O registro. A troca vai para a matrícula do terreno, e as unidades do dono ficam descritas no registro da incorporação imobiliária.
  5. A obra. O dono do terreno acompanha o andamento.
  6. A entrega. Habite-se, matrícula de cada unidade, e as unidades passam para o nome do dono do terreno.

Onde a permuta dá errado

  • A obra para. O dono entregou o terreno e ainda não tem o apartamento. É o maior risco, e por isso o contrato e a conta de venda pesam mais do que o percentual.
  • O percentual veio do vizinho, e não da conta. A permuta trava antes de começar. Ou fecha, e o incorporador não consegue vender.
  • Unidade mal descrita. "Dois apartamentos" não basta. Qual andar, qual posição, qual tamanho.
  • Gente fora da mesa. Terreno de família tem mais gente na decisão do que parece. Quem assina precisa estar na conversa desde o começo.
O maior desafio da permuta é educar o dono do terreno. Ele não está errado em querer mais. Ele precisa ver a conta.

Para quem é cada lado

Se você é dono de terreno, a permuta pode valer mais do que a venda, mas o seu risco passa a ser o da obra. Se você é incorporador, a permuta guarda o seu caixa, mas cada unidade do dono do terreno é uma a menos para vender.

Já são mais de 120 terrenos pré-negociados e mais de 1.600 viabilidades de terreno em todo o país. Cada uma começou pelo mesmo lugar: o que a lei deixa construir naquele terreno.

Faz isso hoje

Se você tem um terreno, antes de falar em percentual, descubra quanto a lei da sua cidade deixa construir nele. É o primeiro número da conta.

Tem um terreno, uma incorporadora ou quer montar esses negócios?

Escolha a sua porta e responda às perguntas. É por elas que a conversa começa.

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