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JR Ortiz.

Incorporação imobiliária: o que é e como funciona, passo a passo

Incorporar é vender um prédio antes de ele existir. Quem faz o quê, o que a lei pede e os sete passos, do terreno à entrega das chaves.

JR Ortiz·9 min de leitura·Viabilidade · Venda

Todo prédio que você vê subir começou com alguém vendendo apartamento que ainda não existia. Isso é incorporação imobiliária.

Eu já fui incorporador. Montei a minha primeira incorporadora no fim de 2010 e, ao longo dos anos, foram 8 prédios entre projeto, obra e incorporação. Hoje não incorporo, por escolha: a minha vocação é outra. Mas conheço o caminho por dentro, e é ele que eu explico aqui.

O que é incorporação imobiliária

É o negócio de juntar um terreno, um projeto, dinheiro e compradores para construir um prédio e vender as unidades, muitas vezes antes de a obra começar. O loteamento segue outra lei. Aqui o assunto é o prédio.

Quem faz isso é o incorporador. Ele consegue o terreno, aprova o projeto, registra a incorporação, vende e entrega. A obra pode ficar com uma construtora. Quem responde pelo negócio é o incorporador.

No Brasil, a incorporação tem lei própria, a Lei 4.591, de 1964. É ela que diz o que precisa estar registrado antes de vender a primeira unidade.

Quem faz o quê num prédio

QuemO que fazQuando entra
Dono do terrenoVende o terreno ou troca por unidades do prédioNo começo
IncorporadorJunta tudo e responde pela entregaDo terreno às chaves
ConstrutoraFaz a obraDepois da aprovação
CorretorVende as unidadesNo lançamento e depois
Banco ou investidorPõe dinheiro no terreno ou na obraAntes e durante a obra
EstruturadorMonta o negócio: terreno, conta, dinheiro e vendaAntes de o projeto existir

Cada um domina uma parte. O problema quase sempre aparece na emenda entre uma parte e outra.

Como funciona, passo a passo

  1. Terreno. Achar, ler a matrícula e ver o que a lei da cidade deixa construir. O terreno pode ser comprado ou trocado por unidades do prédio: é a permuta de terreno.
  2. Viabilidade. A conta antes de tudo: quanto custa a obra, por quanto vende e quanto sobra. Se a conta não fecha, o negócio para aqui. É o passo mais barato para desistir.
  3. Projeto e aprovação. O arquiteto desenha o que cabe e o que vende. A prefeitura aprova e libera a obra.
  4. Registro da incorporação. O incorporador leva ao cartório de registro de imóveis o memorial de incorporação: os papéis do terreno, o projeto aprovado, o custo da obra e a descrição de cada unidade. Sem esse registro, não pode vender na planta.
  5. Lançamento e venda. Com o registro feito, a venda abre. É aqui que se decide se a obra vai ter dinheiro para andar.
  6. Obra. O dinheiro vem da venda das unidades, do banco, de investidores ou do próprio incorporador. Quase sempre, de uma mistura.
  7. Entrega. Obra pronta, a prefeitura dá o habite-se, cada unidade ganha a sua matrícula e o comprador recebe a chave. Quem comprou financiado passa o saldo para o banco: é o repasse.

A incorporação se ganha ou se perde nos passos 1, 2 e 5. A obra quase sempre só mostra o que já estava errado na conta.

Onde o dinheiro entra

Incorporação é negócio de caixa. Primeiro sai dinheiro: terreno, projeto, aprovação, lançamento. Só depois entra. Existe um mês em que o caixa fica mais negativo, e é ele que diz quanto dinheiro o negócio precisa para atravessar a obra.

Por isso tanta incorporação usa permuta no terreno: o incorporador paga o dono do terreno com unidades do prédio, e não com dinheiro na hora.

E por isso existe o patrimônio de afetação. A lei permite separar cada obra numa conta própria, para o dinheiro de um prédio não pagar a conta de outro. Para quem compra e para quem investe, é uma das primeiras perguntas.

Incorporador não compra terreno bonito. Compra certeza matemática.

Os erros que eu mais vejo

  • Comprar o terreno antes de fazer a conta. Depois a conta tem que caber no terreno, e não cabe.
  • Desenhar o prédio que o incorporador gosta, e não o que o comprador da região procura. Escrevi sobre isso em por que prédio simples esgota e prédio bonito encalha.
  • Lançar sem saber quem compra. O evento lota e a venda não vem.
  • Fazer a conta de venda no otimismo. A obra para no meio por falta de caixa, como conto em obra que para por falta de caixa.
  • Deixar a unidade que sobrou parada. Ela vira custo todo mês: condomínio, imposto e juros.

Quantas contas antes de começar

A maioria faz três cenários: realista, otimista e pessimista. Eu faço 49 em cada viabilidade: sete preços de venda cruzados com sete custos de obra. Já são mais de 1.600 viabilidades de terreno em todo o país.

A conta que eu mostro para o incorporador é a mesma que eu mostro para o investidor. Se ela só fica de pé no cenário bom, ainda não é negócio.

Faz isso hoje

Antes de olhar o próximo terreno, escreva três números: quanto custa a obra, por quanto vende e quanto sobra. Se você não consegue escrever os três, ainda não é hora de comprar.

Tem uma incorporadora?

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